Um incêndio florestal que deflagrou na freguesia de Mouriscas, no concelho de Abrantes, mobilizou um expressivo contingente operacional da Proteção Civil, tornando-se numa das ocorrências com maior concentração de meios de combate no território nacional. Apesar do comportamento do fogo e da complexidade das operações no terreno, a autarquia local e os responsáveis operacionais confirmam que não existem habitações em perigo imediato.
Dispositivo e combate às chamas em Mouriscas
O teatro de operações em Mouriscas tem exigido uma resposta musculada por parte dos Corpos de Bombeiros da região e de meios de reforço distritais. O combate às chamas tem sido condicionado pelas características do coberto vegetal, pela orografia do terreno e pelas condições meteorológicas adversas que dificultam o estabelecimento de perímetros de contenção eficazes.
Para além dos meios apeados e dos veículos de combate a incêndios florestais das diversas corporações, o dispositivo tem contado com o apoio de equipas de sapadores florestais e de máquinas de rasto, fundamentais na abertura de faixas de contenção para travar a progressão das frentes ativas. Durante o período diurno, os meios aéreos desempenham um papel crucial no apoio aos operacionais terrestres através de descargas concentradas nas zonas de mais difícil acesso.
Ponto de situação operacional e segurança das povoações
As autoridades municipais e o comando da Proteção Civil têm acompanhado em permanência a evolução das frentes de fogo. A situação no terreno foi classificada como complexa, exigindo vigilância constante e reposicionamento tático das equipas em função das rotações do vento.
Apesar da intensidade das chamas e da densa coluna de fumo visível em vários pontos do concelho de Abrantes, as autoridades reiteraram que as linhas de defesa foram posicionadas de forma a garantir a segurança das populações, confirmando que a prioridade absoluta reside na salvaguarda de vidas e de bens patrimoniais.
Quadro nacional de ocorrências
A ocorrência de Abrantes insere-se num contexto de forte pressão sobre o dispositivo nacional de emergência e proteção civil, com quase meio milhar de operacionais empenhados em simultâneo nas ocorrências mais exigentes do país, incluindo teatros de operações em Santa Marta de Penaguião e na região Centro e Norte.
A articulação entre a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), os Comandos Sub-regionais e os municípios envolvidos visa garantir a sustentabilidade das operações de combate e a gestão adequada do esforço dos bombeiros envolvidos nas frentes de fogo.
Recomendações da Proteção Civil
Face à circulação intensa de veículos de socorro e à presença de fumo na região de Mouriscas e nas vias envolventes no concelho de Abrantes, a Proteção Civil apela à colaboração dos cidadãos:
- Evitar a circulação desnecessária nas imediações do teatro de operações para não constranger a passagem dos meios de socorro;
- Facilitar a manobra das viaturas de combate a incêndios e cumprir estritamente as orientações das forças de segurança (GNR e PSP);
- Fechar portas e janelas nas zonas mais expostas ao fumo e evitar esforços físicos no exterior;
- Reportar de imediato novos focos ou reacendimentos através do número de emergência 112.
Fontes
- Jornal de Abrantes — Mouriscas - Incêndio florestal é o que mobiliza mais meios no país. Não há habitações em risco
- Correio da Manhã — Autarquia diz que fogo em Abrantes está "complicado" mas sem habitações em risco
- TSF — Quase 500 operacionais no combate aos incêndios de Abrantes e Santa Marta de Penaguião


